5:31 AM
A Comissão de Desenvolvimento Econômico,
Indústria e Comércio rejeitou na última quarta-feira (5) projeto que
proíbe a venda de sapatos femininos com saltos altos para crianças.
Pela proposta (Projeto de Lei 1885/11)
do deputado Décio Lima (PT-SC), a altura do salto de calçados para
crianças não poderá ser superior a dois centímetros. O projeto considera
criança a pessoa com até 12 anos incompletos.
O relator da proposta, deputado Renato Molling (PP-RS), disse que
concorda com os argumentos do autor, mas considera que a proibição não
vai surtir os efeitos desejados. Segundo ele, há mulheres adultas com
pés pequenos, assim como crianças com pés de dimensões maiores que a
média para sua idade. “Assim, implementada a medida, parte da população
feminina adulta seria privada de adquirir e usar sapatos de saltos
altos, e parte das meninas continuaria tendo acesso a esses mesmos
calçados, o que tornaria inócua essa medida”, disse.
Prática lesiva
Segundo o autor da proposta, a Medicina tem apontado os males trazidos
mesmo às mulheres adultas pelo uso de sapatos de saltos altos, e podem
ser ainda piores para crianças. “A estrutura óssea infantil deforma-se
com facilidade, de forma que a sobrecarga na parte da frente do pé
provocada pelo uso de sapatos de saltos altos por meninas pode causar
deformações só corrigíveis por cirurgia”, informa o parlamentar.
Molling concorda com os argumentos médicos, e os considera
alarmantes. No entanto, ele acha que o desestímulo ao uso de sapatos de
saltos altos por meninas deve empregar outros mecanismos. “Em
particular, cremos que as úteis informações reunidas na justificação
deste projeto devem ser amplamente difundidas, para que os próprios pais
compreendam a necessidade de evitar essa prática lesiva à saúde de suas
crianças”, disse.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será examinado pelas comissões de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Reportagem - Marcello Larcher/ RCA
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