8:17 AM
As obras relacionadas da Copa do Mundo de 2014 pretendem ser usadas como
forma de abrir o mercado de trabalho e de capacitação profissional para
presidiários. No entanto, a contratação de detentos e ex-detentos ainda
não alavancou.
Um termo de cooperação firmado entre o Conselho Nacional de Justiça
(CNJ), o Comitê Organizador Local, o Ministério dos Esportes e os
governos das cidades-sede prevê que 5% das vagas sejam destinadas a
detentos e ex-detentos em obras de infraestrutura com mais de 20
operários.
Das 12 cidades-sede, apenas seis já tem detentos trabalhando nos
estádios: Natal (RN) e Salvador (BA), ambas com oito; Fortaleza (CE),
com 11; Cuiabá (MT), com 12; Brasília (DF), com cinco, e Belo Horizonte
(MG), com 13.
Segundo o coordenador do Departamento de Monitoramento e
Fiscalização do Sistema Carcerário do CNJ, o juiz Luciano Losekann,
construtoras e governos das outras cidades estão sendo cobradas para que
façam as contratações. "O processo é muito lento devido a burocracia do
Estado e a falta de informação do programa pelas empresas", avaliou.
Uma cartilha do CNJ, focada ao empregador, informa sobre os diversos
incentivos legais para quem contrata presos, como a isenção do pagamento
de férias, décimo terceiro salário e Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço (FGTS). A remuneração mínima corresponde a três quartos do
salário mínimo. Losekann disse, entretanto, que as empresas têm pago
salário igual ao dos demais trabalhadores, para evitar discrepâncias e
preconceito.
Na obra do Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, os
cinco beneficiados pelo programa exercem função de limpeza. Quatro deles
estão em regime semiaberto. A rotina começa às 5h (de Brasília) quando
deixam o Centro de Progressão Penitenciária (CPP), localizado no Setor
de Indústria e Abastecimento (SIA).
A jornada de trabalho vai das 7h as 16h no estádio. Ao fim do
dia, voltam para o centro. Há dez meses no regime semiaberto, Paulo
Henrique Cardoso Ferreira, 26 anos, trabalha nos serviços gerais no
salão de alimentação. No sete meses na função, o preso avalia a
oportunidade como positiva. "É a forma que eu tenho para me reinserir na
sociedade. Creio que vou estar empregado quando sair daqui a seis
meses", disse.
Também no semiaberto, Flávio Fernandes, 27 anos, trabalha há
seis meses como auxiliar de cozinha na obra. Ele espera ser contratado
quando estiver em prisão domiciliar. Condição que foi alcançada por
Antônio Silva, 33 anos. Depois de ficar preso por oito anos, sendo seis
no regime fechado, ele é lavador de panelas e já se considera "de volta à
sociedade".
Antônio ressaltou que não sofreu nenhum tipo de preconceito no local de
trabalho.
"O pessoal acolheu a gente. Tivemos acesso livre igual aos outros funcionários. Eu gosto das pessoas daqui", contou.
O fim das obras do estádio não significa desemprego para
Antônio, pois a cantina será montada em outras obras. Fabiano Fernandes,
36 anos, disse que, embora a saída do semiaberto esteja marcada para o
início de 2013, ele pretende sair ainda este ano, referindo-se à redução
de um dia da pena por cada três trabalhados, um dos benefícios do
programa. "Quero cuidar da minha filha de 10 anos, que é a minha vida",
explicou.
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